O projeto SOPA,
versão em inglês da lei planetária antipirataria, mesmo tendo sua votação
adiada, sem dúvida será implementado em um futuro próximo. Seus paradoxos
são enormes. Mas mesmo assim ele vingará, sem dúvida. E essa nova forma de
controle global de informação vai entrar em vigor justamente por causa da
complacência da classe intelectual, que continua sendo condescendente com uma
visão patrimonialista das produções materiais e simbólicas globais neste início
do século XXI. Na verdade, enquanto não forem repensados os conceitos de propriedade
e autoria, continuaremos navegando em espaços virtuais homogeneizados por
valores fósseis, que se extinguiram no século XX. Defender esses valores sob o
pretexto da preservação do indivíduo, da democracia, da obra, do valor, do
patrimônio, dos bens e do direito não é nada mais do que trabalhar para garantir
que outros usem aquilo que possuímos, mas que nós nunca possuamos aquilo que usamos. Enquanto não se repensar as leis em termos de valor de uso, em
detrimento do valor de posse, continuaremos sendo aqueles que defendem como
sendo seu tudo aquilo que nos alienaram, para que pudéssemos continuar vivendo.
Continuaremos sendo os defensores de tudo aquilo que, embora sempre tenha
estado a nosso alcance, nunca de fato nos pertenceu. sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
PIRATARIA COMO SOBREVIVÊNCIA
O projeto SOPA,
versão em inglês da lei planetária antipirataria, mesmo tendo sua votação
adiada, sem dúvida será implementado em um futuro próximo. Seus paradoxos
são enormes. Mas mesmo assim ele vingará, sem dúvida. E essa nova forma de
controle global de informação vai entrar em vigor justamente por causa da
complacência da classe intelectual, que continua sendo condescendente com uma
visão patrimonialista das produções materiais e simbólicas globais neste início
do século XXI. Na verdade, enquanto não forem repensados os conceitos de propriedade
e autoria, continuaremos navegando em espaços virtuais homogeneizados por
valores fósseis, que se extinguiram no século XX. Defender esses valores sob o
pretexto da preservação do indivíduo, da democracia, da obra, do valor, do
patrimônio, dos bens e do direito não é nada mais do que trabalhar para garantir
que outros usem aquilo que possuímos, mas que nós nunca possuamos aquilo que usamos. Enquanto não se repensar as leis em termos de valor de uso, em
detrimento do valor de posse, continuaremos sendo aqueles que defendem como
sendo seu tudo aquilo que nos alienaram, para que pudéssemos continuar vivendo.
Continuaremos sendo os defensores de tudo aquilo que, embora sempre tenha
estado a nosso alcance, nunca de fato nos pertenceu.
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